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Inteligência Artificial (IA) generativa, Redes Sociais e os desafios do combate à desinformação

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Inteligência Artificial (IA) generativa, Redes Sociais e os desafios do combate à desinformação

Nos últimos anos, as redes sociais emergiram como uma força poderosa, remodelando fundamentalmente o setor da comunicação e da mídia. Esse fenômeno revolucionário trouxe consigo uma série de transformações que não apenas redefiniram a maneira como as informações são compartilhadas, mas também influenciaram diretamente a forma como as pessoas interagem com o conteúdo midiático.
Inteligência Artificial (IA) generativa, Redes Sociais e os desafios do combate à desinformação

Um dos aspectos mais notáveis dessa transformação é a instantaneidade no acesso à informação. As redes sociais proporcionaram uma plataforma onde notícias e eventos podem ser divulgados em tempo real. Seja um acontecimento global ou uma atualização local, a disseminação instantânea de informações moldou a maneira como consumimos notícias, quebrando as barreiras temporais e geográficas que antes limitavam a rapidez com que as informações eram compartilhadas.

Além disso, as redes sociais deram origem a uma nova dinâmica de engajamento do público. O público não é mais um mero receptor passivo, mas se tornou parte integrante da narrativa. Comentários, compartilhamentos e interações diretas com organizações de mídia criaram uma comunidade online vibrante, onde as opiniões individuais contribuem para a construção coletiva de conhecimento e percepção.

A divulgação de fake news pode beneficiar diferentes grupos e indivíduos, dependendo do contexto e das motivações por trás da criação e disseminação dessas informações falsas.

CLAUDIO CARVAJAL

A produção de conteúdo também passou por uma mudança significativa. Anteriormente, o monopólio da criação midiática estava nas mãos de grandes organizações de mídia. No entanto, as redes sociais democratizaram esse processo, permitindo que qualquer pessoa, em qualquer lugar, compartilhe suas ideias e perspectivas. Isso resultou em uma diversidade de vozes, enriquecendo o panorama midiático global.

Contudo, é importante reconhecer que esse novo paradigma não está isento de desafios. A proliferação de notícias falsas e desinformação nas redes sociais questiona a credibilidade das fontes tradicionais de notícias. A necessidade de distinguir entre fatos e ficção tornou-se uma preocupação crucial na era digital.

Além disso, a integração cada vez maior das redes sociais nas operações de mídia levanta questões éticas e de privacidade. A coleta de dados pessoais para personalização de conteúdo suscita debates sobre como equilibrar a inovação tecnológica com a proteção dos direitos individuais.

“Inteligência Artificial (IA) generativa” e a criação de conteúdos falsos – Fake News

A inteligência artificial generativa pode ser utilizada para criar conteúdo falso, incluindo notícias falsas (fake news). Modelos de linguagem como o GPT-3, por exemplo, têm a capacidade de gerar texto de maneira extremamente convincente, imitando estilos de escrita humana. Além de conteúdos em textos, as tecnologias de Deep Learning possibilitam ainda a criação de conteúdos falsos em vídeos, os chamados Deep Fakes.  Isso levanta preocupações sobre o potencial uso indevido dessas tecnologias para disseminar informações falsas e desinformação.

A capacidade de criar conteúdo de maneira automática e persuasiva pode ser explorada por indivíduos mal-intencionados para espalhar notícias falsas, manipular a opinião pública, difamar pessoas ou influenciar eventos. Essa é uma preocupação ética e social, pois destaca a necessidade de abordar questões como a autenticidade do conteúdo gerado por IA e desenvolver métodos para detectar e mitigar a propagação de informações falsas.

As fake News podem surgir de várias maneiras e têm diversas origens. A propagação de informações incorretas pode ser intencional ou não, e as motivações por trás da criação e disseminação de fake news são complexas. Aqui estão algumas das principais maneiras como as fake news podem nascer:

Desinformação intencional: Alguém pode criar e disseminar informações falsas deliberadamente com a intenção de enganar, manipular a opinião pública, desacreditar uma pessoa ou instituição, ou promover uma agenda específica.

Sátira e paródia: Às vezes, informações falsas são criadas como parte de sátiras ou paródias, mas, infelizmente, podem ser interpretadas como reais por algumas pessoas.

Interpretação equivocada: Informações verdadeiras podem ser mal interpretadas ou distorcidas durante a disseminação, levando a uma compreensão incorreta dos fatos.

Vazamento de informações erradas: Por vezes, informações incorretas são divulgadas por fontes não confiáveis ou por vazamentos mal verificados.

Viés de confirmação: As pessoas podem inadvertidamente compartilhar informações falsas que confirmam suas crenças preexistentes, contribuindo para a propagação de notícias falsas dentro de bolhas de filtro.

Sensacionalismo e cliques: Algumas organizações de mídia podem exagerar ou distorcer informações para atrair mais atenção, cliques ou audiência.

Uso de bots e redes sociais: Bots automatizados em plataformas de mídia social podem ser programados para disseminar informações falsas em grande escala, amplificando a disseminação dessas notícias.

Falta de verificação: A ausência de verificações adequadas por parte dos consumidores de notícias pode levar à aceitação de informações falsas sem questionamento.

Má interpretação de evidências científicas: Em algumas situações, evidências científicas podem ser mal interpretadas ou distorcidas, levando à disseminação de informações falsas.

Condições sociais e políticas: Em contextos sociais e políticos específicos, as fake news podem ser criadas e disseminadas para influenciar eleições, gerar conflitos ou manipular a opinião pública. 

Além de entender como as Fake News nascem, é essencial entender por que eles nascem e o que ganham aqueles que as produzem ou divulgam. Isto ajuda na construção de estratégias para mitigar este desafio. A divulgação de fake news pode beneficiar diferentes grupos e indivíduos, dependendo do contexto e das motivações por trás da criação e disseminação dessas informações falsas. Aqui estão algumas categorias de pessoas ou grupos que podem se beneficiar com a divulgação de fake news:

Atores políticos: Políticos podem usar fake news para manipular a opinião pública, difamar oponentes ou promover sua agenda. Isso pode ser especialmente eficaz durante campanhas eleitorais.

Agentes externos e influências estrangeiras: Governos estrangeiros ou grupos com interesses específicos podem usar fake news para influenciar a política de outros países, semear discordâncias ou minar a confiança nas instituições.

Empresas e interesses comerciais: Empresas ou setores específicos podem criar fake news para promover seus produtos, desacreditar concorrentes ou influenciar a opinião pública em seu benefício.

Indivíduos com motivações ideológicas: Pessoas com fortes convicções ideológicas podem criar e disseminar fake news para promover suas crenças, desacreditar grupos opostos ou gerar polarização.

Criadores de conteúdo online: Alguns criadores de conteúdo podem se beneficiar financeiramente da divulgação de fake news, especialmente se o conteúdo gerar muitos cliques e visualizações, aumentando a receita publicitária.

Hackers e criminosos cibernéticos: Hackers podem criar fake news como parte de campanhas de desinformação ou para distrair e desviar a atenção de atividades maliciosas, como ataques cibernéticos.

Mídia sensacionalista: Outlets de mídia sensacionalista podem se beneficiar da divulgação de notícias falsas, atraindo mais atenção e audiência.

Bots e contas automatizadas: Criadores de bots automatizados podem ser contratados para disseminar fake news em larga escala, influenciando a percepção pública e criando a ilusão de um consenso em torno de determinados tópicos.

É importante observar que, embora esses grupos ou indivíduos possam se beneficiar no curto prazo, a disseminação de fake news geralmente tem efeitos prejudiciais a longo prazo, incluindo danos à confiança pública, polarização e impactos sociais negativos. O combate a este problema requer esforços coletivos, envolvendo educação, verificação de fatos por órgãos independentes e imparciais, regulamentação e responsabilidade por parte das plataformas de mídia social.

Em resumo, é crucial que a comunidade global, incluindo pesquisadores, desenvolvedores de IA, legisladores e empresas de tecnologia, trabalhe em conjunto para desenvolver medidas que garantam o uso ético da inteligência artificial e minimizem os riscos associados à criação de conteúdo falso. Isso pode envolver o desenvolvimento de técnicas de verificação de autenticidade, educação pública sobre como identificar informações falsas e a implementação de políticas e regulamentações adequadas.

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Claudio Carvajal

Claudio Carvajal

Professor e Coordenador Acadêmico na FIAP. Empreendedor na área de negócios digitais, co-founder da Singular NEXT. Palestrante na área de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia. Autor de livros na área de negócios e tecnologia.

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Como preparar sua empresa para as novas tecnologias em 2024

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Como preparar sua empresa para as novas tecnologias em 2024

As tecnologias estão evoluindo a uma velocidade sem precedentes afetando todos os setores e áreas da economia. Empresas que não conseguem se adaptar rapidamente às inovações correm o risco de ficar para trás, se tornarem obsoletas rapidamente ou até mesmo deixarem de existir. Para além da tecnologia, as mudanças no macro ambiente, em especial nas preferências e valores culturais dos consumidores, podem afetar significativamente o sucesso de uma empresa.
novas tecnologias em 2024

Para se adaptar a este cenário, as empresas devem buscar estratégias e métodos que permitam acompanhar continuamente quais são as tendências que devem impactar seu negócio e proativamente se prepararem para elas.

E como acompanhar as tendências tecnológicas num ambiente cada vez mais dinâmico no qual as transformações ocorrem numa velocidade sem precedentes? Algumas organizações respeitáveis realizam pesquisas e divulgam relatórios periodicamente norteando as empresas neste sentido

. Então, a primeira dica é acompanhar estes relatórios. Segundo a Gartner, uma das empresas mais confiáveis no ambiente empresarial com relação a tendências tecnológicas, estas são as principais tecnologias que devem acelerar as transformações este ano, publicadas em seu relatório “Top Strategic Technology Trends for 2024”:

É preciso validar com o futuro cliente se de fato a ideia resolve melhor o problema do que os concorrentes atuais.

CLAUDIO CARVAJAL

  • Inteligência Artificial Generativa Democratizada: A Inteligência Artificial Generativa (GenAI) está se democratizando pela confluência de modelos maciçamente pré-treinados, computação em Nuvem e código aberto, tornando acessível a profissionais em todo o mundo. Até 2026, o Gartner prevê que mais de 80% das empresas terão utilizado APIs e modelos de Inteligência Artificial Generativa e/ou implantado aplicativos habilitados para a tecnologia em seus ambientes de produção, o que representa um aumento em relação aos menos de 5% registrados no início de 2023.
  • Gerenciamento de Confiança, Risco e Segurança da Inteligência Arificial (TRiSM): A democratização do acesso à Inteligência Artificial tornou a necessidade de Gerenciamento de Confiança, Risco e Segurança da tecnologia (TRiSM) ainda mais urgente e clara. Sem diretrizes, os modelos de Inteligência Artificial podem gerar rapidamente efeitos negativos que se descontrolam, encobrindo qualquer desempenho positivo e ganhos para a sociedade que a  tecnologia possibilita. O Gartner prevê que até 2026, as empresas que aplicarem controles de Gerenciamento de Confiança, Risco e Segurança da Inteligência Artificial aumentarão a precisão de suas tomadas de decisão, eliminando até 80% de informações ruins ou ilegítimas.
  • Desenvolvimento Auxiliado por Inteligência Artificial: O desenvolvimento auxiliado por Inteligência Artficial é o uso de tecnologias do tipo, como Inteligência Artificial Generativa e Machine Learning, para ajudar engenheiros de software em seus projetos, codificação e teste de aplicativos. A engenharia de software assistida por Inteligência Artificial melhora a produtividade dos desenvolvedores e permite que equipes de desenvolvimento atendam à crescente demanda por software para os negócios.
  • Aplicações Inteligentes: As aplicações inteligentes incluem inteligência como uma capacidade. O Gartner define isso como a adaptação aprendida para responder de forma apropriada e autônoma. Essa inteligência pode ser utilizada em muitos casos para melhorar ou automatizar o trabalho. Existe uma clara necessidade e demanda por aplicações inteligentes. Cerca de 26% dos CEOs na Pesquisa de CEO e Executivos de Negócios Sênior do Gartner de 2023 citaram a escassez de talentos como o risco mais prejudicial para suas empresas. A atração e retenção de profissionais são a principal prioridade de força de trabalho dos CEOs, enquanto a Inteligência Artificial foi apontada como a tecnologia que terá o impacto mais significativo em suas indústrias nos próximos três anos.
  • Gestão Contínua de Exposição a Ameaças: A Gestão Contínua de Exposição a Ameaças (CTEM) é uma abordagem pragmática e sistemática que permite que as empresas avaliem continuamente e de forma consistente a acessibilidade, exposição e explorabilidade dos ativos digitais e físicos de uma empresa. Até 2026, o Gartner prevê que as empresas que priorizarem seus investimentos em segurança com base em um programa de Gestão Contínua de Exposição a Ameaças alcançarão uma redução de dois terços nas violações.
  • Machine Customers: Também chamados de ‘custobots’, os Machine Customers são atores econômicos não-humanos que podem negociar e comprar autonomamente bens e serviços em troca de pagamento. Até 2028, existirão 15 bilhões de produtos conectados com potencial para agir como clientes, além de bilhões a mais a serem lançados nos próximos anos. Essa tendência de crescimento será a fonte de trilhões de dólares em receitas até 2030 e eventualmente se tornará mais significativa do que a chegada do comércio digital.
  • Tecnologia Sustentável: A tecnologia sustentável é um conjunto de soluções digitais usadas para promover resultados ambientais, sociais e de governança (ESG) que apoiam o equilíbrio ecológico de longo prazo e os direitos humanos. O Gartner prevê que até 2027, 25% dos CIOs verão sua compensação pessoal ligada ao impacto de sua tecnologia sustentável.
  • Engenharia de Plataformas: A engenharia de plataformas é a disciplina de construir e operar plataformas internas de desenvolvimento de autosserviço. Cada plataforma é uma camada, criada e mantida por uma equipe de produto dedicada, projetada para atender às necessidades de seus usuários, interagindo com ferramentas e processos. O objetivo da engenharia de plataformas é otimizar a produtividade, a experiência do usuário e acelerar a entrega de valor comercial.
  • Plataformas de Nuvem da Indústria: Até 2027, o Gartner prevê que mais de 70% das empresas usarão plataformas de Nuvem da indústria (ICPs) para acelerar suas iniciativas de negócios, o que representa um aumento em relação os 15% estimados para 2023. As plataformas abordam resultados de negócios relevantes para a indústria, combinando serviços subjacentes de SaaS, PaaS e IaaS em uma oferta completa com capacidades componíveis.

Existem outras fontes interessantes para analisar tendências como relatórios de outras grandes empresas de consultoria globais como Ernst & Young, KPMG, PwC, além de institutos de pesquisa como o Future Today Institute, da futurista e professora Amy Webb. Mas há uma certa proximidade nas projeções com relação a percepção sobre Inteligência Artificial, Gestão da segurança da informação, ciência de dados, tecnologias sustentáveis e uso ético e responsável das novas tecnologias, a chamada Gestão Social e Ambiental, em inglês Environmental, Social and Governance – ESG.

Entender quais são as tecnologias que devem mudar o mundo é o primeiro passo. O próximo desafio é trazer esta reflexão para o ambiente do seu negócio. Como estas tecnologias devem mudar o comportamento do seu consumidor, a forma como você produz e trabalha na sua empresa, que ameaças se constituem para sua empresa com a chegadas destas tecnologias ao mercado e quais são as oportunidades que sua empresa pode explorar com estas mudanças?

Em resumo, criar estratégias de inovação empresarial é vital para garantir a relevância e a sustentabilidade das empresas num ambiente em constante evolução. Isso envolve uma abordagem proativa para se adaptar às mudanças, investir em tecnologia, sustentabilidade e, acima de tudo, manter uma mentalidade flexível e inovadora.

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Claudio Carvajal

Professor e Coordenador Acadêmico na FIAP. Empreendedor na área de negócios digitais, co-founder da Singular NEXT. Palestrante na área de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia. Autor de livros na área de negócios e tecnologia.

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